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Acreditação pela Cgcre/INMETRO: o passo a passo para o laboratório se preparar

Do gap analysis à avaliação no local, o caminho real até a acreditação e onde a maioria dos laboratórios trava.

8 min de leitura

Decidir buscar a acreditação é uma das melhores decisões que um laboratório pode tomar, e também uma das que mais geram ansiedade. A pergunta que sempre aparece é a mesma: por onde começar e quanto tempo isso leva. A resposta honesta é que o caminho tem etapas bem definidas, e a maioria dos laboratórios trava não por falta de competência técnica, mas por subestimar a fase de implementação e maturação do sistema.

A acreditação no Brasil é concedida pela Cgcre, a Coordenação Geral de Acreditação do INMETRO. Ela segue regras públicas, descritas nos documentos NIT-DICLA e nos documentos orientativos. Conhecer esse roteiro com antecedência muda completamente a sua chance de sucesso na primeira avaliação.

Diagnóstico inicial e gap analysis

Tudo começa com uma análise honesta da distância entre o que você faz hoje e o que a ISO/IEC 17025 exige. Esse gap analysis percorre cláusula por cláusula, separando o que já está implementado, o que existe mas precisa de ajuste, e o que ainda nem começou.

Não pule essa etapa. Um diagnóstico bem feito vira o seu plano de ação e o seu cronograma. Ele também ajuda a definir o escopo inicial, ou seja, quais ensaios e calibrações você vai levar para acreditação. A recomendação prática é começar enxuto. Veja como montar o escopo sem sufoco antes de prometer demais para a direção.

Documentação do sistema de gestão

Com o diagnóstico em mãos, vem a construção da documentação. Isso inclui a política da qualidade, os procedimentos de gestão, as instruções técnicas, os procedimentos operacionais dos métodos e os formulários de registro.

O erro clássico aqui é escrever procedimentos lindos que ninguém segue. A documentação precisa refletir o que o laboratório realmente faz, e não um ideal de manual. Documento que descreve uma realidade inexistente é a primeira não conformidade que o auditor encontra. Escreva o que você faz, faça o que você escreveu e prove com registros.

Implementação e geração de evidência

Esta é a etapa que consome mais tempo e onde a maioria dos laboratórios subestima o prazo. Documento implantado não basta. Você precisa rodar o sistema por tempo suficiente para gerar histórico, ou seja, evidência objetiva de que tudo funciona.

Isso significa validar métodos, completar calibrações rastreáveis, alimentar cartas de controle, executar ensaios de proficiência e acumular registros de operação real. Um sistema sem histórico é um sistema teórico, e a Cgcre avalia operação real, não intenção.

Auditoria interna e análise crítica pela direção

Antes de chamar o INMETRO, o laboratório precisa auditar a si mesmo. A auditoria interna deve cobrir todos os requisitos e gerar não conformidades reais, com ações corretivas tratadas e eficácia verificada. Auditoria interna que não encontra nada é um sinal de alerta, não de maturidade. Vale estruturar uma auditoria interna que funciona.

Em seguida, a direção realiza a análise crítica, avaliando indicadores, resultados de auditorias, reclamações, desempenho em proficiência e recursos. É o momento em que a liderança assume formalmente que o sistema está pronto.

Solicitação e avaliação no local

Com o sistema rodando e maduro, você formaliza a solicitação à Cgcre. Segue-se a análise da documentação e, então, a avaliação no local, conduzida por uma equipe que inclui especialistas técnicos no seu escopo.

A avaliação resulta em constatações que precisam de tratamento. Praticamente nenhum laboratório passa sem nenhuma não conformidade. O que define a aprovação é a qualidade do tratamento que você dá a elas, com correção, ação corretiva e evidência de eficácia.

Sobre prazos, seja realista. Da decisão até a acreditação concedida, é comum o processo levar de um ano a dois, dependendo da maturidade inicial, do tamanho do escopo e da disciplina da equipe. O que mais atrasa é a fase de implementação sem histórico suficiente e o retrabalho com documentação que não reflete a prática.

Evidências que precisam existir antes da solicitação

Antes de abrir o processo, selecione trabalhos reais do escopo pretendido e faça uma auditoria vertical. Para cada um, confira contrato, recebimento, método vigente, competência, condições ambientais, equipamentos, rastreabilidade, dados brutos, cálculo, controle de qualidade e relatório. A sequência precisa ser verificável por alguém que não participou do ensaio.

Monte também um quadro de prontidão com quatro estados: requisito desenhado, implementado, com histórico e verificado internamente. Essa distinção impede que um procedimento recém-publicado seja confundido com processo maduro. A solicitação fica mais segura quando os itens críticos já têm registros suficientes para demonstrar repetibilidade e quando as falhas encontradas na auditoria interna foram tratadas com eficácia observável.

Referências para conferência

Nota editorial: confirme sempre a edição vigente da norma, o escopo aplicável e os requisitos do regulador, do método e do contrato antes de tomar uma decisão técnica.

A boa notícia é que grande parte desse esforço é organização de informação: registros, calibrações, validações e tratamento de não conformidades. Um sistema integrado reduz drasticamente esse atrito, e vale conhecer todas as funcionalidades pensadas para a acreditação. Para enxergar o caminho aplicado à sua realidade, agende uma demonstração.

Veja o Gerencialab rodando com a análise que você faz

Da proposta ao laudo assinado em ISO/IEC 17025, num sistema só. Agende uma demonstração com o tipo de ensaio do seu laboratório.

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