Dois ensaios rodam na mesma amostra de resíduo, em bancadas diferentes, com preparos diferentes, gerando dois extratos que não se parecem. Um é o lixiviado, o outro é o solubilizado. Cada um sai com sua lista de metais e compostos, cada um num arquivo separado. No fim, os dois precisam voltar para o mesmo laudo, contando juntos a história de um único resíduo. Quando chegam separados demais, a leitura trava esperando alguém juntar os pedaços na mão.
Dois ensaios que respondem a perguntas diferentes
A ABNT NBR 10005 descreve o procedimento para obter o extrato lixiviado. O ensaio simula a passagem de uma solução ácida pelo resíduo e mede o que se solta nessas condições.
A ABNT NBR 10006 descreve o procedimento para obter o extrato solubilizado. O ensaio simula o contato do resíduo com a água, em condição mais branda, e mede o que se dissolve.
As duas normas seguem em vigor no catálogo da ABNT. A NBR 10005 foi confirmada em 2021 e a NBR 10006, em 2025. O que mudou foi o papel delas na classificação de resíduos.
Como era na edição de 2004
Na ABNT NBR 10004:2004, os dois ensaios formavam um caminho encadeado. O lixiviado ajudava a dizer se o resíduo era perigoso, a Classe I. Se não fosse, o solubilizado separava o não inerte, Classe II-A, do inerte, Classe II-B. Por isso muitos laudos antigos trazem os dois resultados lado a lado.
O que mudou com a série 2024
Em novembro de 2024, a ABNT publicou a NBR 10004-1:2024 e a NBR 10004-2:2024, que substituíram a edição de 2004. A nova série usa Classe 1 (perigoso) e Classe 2 (não perigoso). A divisão entre inerte e não inerte deixou de fazer parte das classes. Segundo material técnico apresentado pela ABNT, a toxicidade passa a ser avaliada pelas substâncias presentes no resíduo, e não só pela concentração no lixiviado.
Na prática, lixiviação e solubilização continuam sendo pedidas em muitos processos, por licença, contrato ou exigência do órgão ambiental. Licenças antigas ainda podem citar a edição de 2004. O laboratório precisa saber, em cada pedido, qual edição e quais ensaios o cliente precisa atender. Confirme no texto da norma e com o órgão ambiental antes de definir o escopo do laudo.
Por que manter os dois no mesmo registro
Quando o pedido inclui os dois ensaios, separar os resultados em planilhas soltas é pedir problema. O lixiviado numa aba, o solubilizado noutra, a caracterização num terceiro arquivo. Basta um resultado colado na amostra errada, ou um extrato trocado, para a leitura sair furada. Os dois ensaios falam do mesmo resíduo e precisam ficar ligados à mesma amostra.
A cena saudável é esta: a amostra entra uma vez e dela partem os ensaios pedidos. Cada resultado volta ligado à amostra de origem e ao extrato certo, não a um arquivo avulso. Assim o sistema compara cada extrato com os critérios que o laboratório cadastrou para aquele pedido.
O responsável técnico lê os resultados juntos, no contexto da edição de norma exigida, e chega à conclusão com as evidências à vista. Não é o sistema que decide a classe. É o RT, com o lixiviado, o solubilizado e a caracterização lado a lado, sem catar número em três planilhas.
Rastreabilidade do preparo ao resultado
Lixiviação e solubilização têm preparo longo, com etapas que precisam de registro: a massa, o extrator, o tempo de agitação, o pH, a filtração. Cada passo é um ponto onde um dado pode se perder, e o laudo vai ser lido por auditoria e fiscalização.
Os princípios ALCOA+ e a ISO/IEC 17025 pedem que cada etapa e cada resultado sejam atribuíveis a quem fez, registrados na hora, originais e exatos. Quando os dois extratos carregam esse rastro desde a amostra, o laboratório responde perguntas sobre qualquer um dos ensaios sem passar a tarde procurando um caderno de bancada.
Como o Gerencialab organiza os dois ensaios
No Gerencialab, a amostra de resíduo carrega os ensaios pedidos ligados a ela. Os resultados da NBR 10005 e da NBR 10006 são importados de equipamento ou de planilha de bancada para o registro certo, cada extrato no seu lugar. O sistema compara cada resultado com os critérios que o seu laboratório cadastrou e monta o quadro que o responsável técnico usa para concluir.
Os critérios não vêm prontos no sistema. O laboratório cadastra os da edição exigida em cada caso e mantém esse cadastro atualizado. É o que a página de resíduos sólidos mostra.
Vale ler junto o que mudou na classificação de resíduos pela série NBR 10004:2024 e como a amostragem pela NBR 10007 ajuda a amostra ensaiada a representar o lote.
Controle as duas preparações sem misturar resultados
Crie execuções distintas, com massa, preparo, reagentes, tempo, condição e extrato identificados, mantendo ambas ligadas à amostra original. Analitos iguais em extratos diferentes não podem compartilhar uma linha ambígua. Unidade e base de expressão precisam acompanhar o valor.
Na revisão, confira controles, diluições, limite de quantificação e versão do método antes de usar o resultado na classificação. A rastreabilidade deve permitir voltar do laudo ao extrato e ao registro de preparação. Qualquer desvio de execução precisa acompanhar a avaliação final.
Referências para conferência
- ISO — ISO/IEC 17025:2017
- Inmetro/Cgcre — acreditação de laboratórios
- ABNT Catálogo — consulta de normas técnicas vigentes
Nota editorial: a aplicação depende da edição vigente da norma, do escopo e da regulamentação aplicável. Confirme também os requisitos do regulador, do método e do contrato antes de tomar uma decisão técnica.
Quer ver lixiviado e solubilizado ligados à mesma amostra? Agende uma demonstração do Gerencialab.
| Norma | Situação | Do que trata | Fonte oficial |
|---|---|---|---|
Procedimento para obtenção de extrato lixiviado de resíduos sólidos ABNT NBR 10005:2004 | Vigente | Procedimento de laboratório para obter o extrato lixiviado de resíduos sólidos.Segue em vigor no catálogo da ABNT, confirmada em 2021. Com a NBR 10004:2024, o papel do lixiviado na classificação mudou. Confira o texto da norma e o que o órgão ambiental exige. | Fonte oficial |
Procedimento para obtenção de extrato solubilizado de resíduos sólidos ABNT NBR 10006:2004 | Vigente | Procedimento de laboratório para obter o extrato solubilizado de resíduos sólidos.Segue em vigor no catálogo da ABNT, confirmada em 2025. Na NBR 10004:2024, a divisão entre inerte e não inerte deixou de fazer parte das classes. Confira o que o órgão ambiental exige. | Fonte oficial |
Resíduos sólidos - Classificação - Parte 1: Requisitos de classificação ABNT NBR 10004-1:2024 | Vigente | Requisitos para classificar resíduos quanto à periculosidade: inflamabilidade, corrosividade, reatividade, patogenicidade e toxicidade.Publicada em 27 de novembro de 2024. Usa Classe 1 (perigoso) e Classe 2 (não perigoso) no lugar de I, II-A e II-B. | Fonte oficial |
Resíduos sólidos - Classificação - Parte 2: Sistema Geral de Classificação de Resíduos (SGCR) ABNT NBR 10004-2:2024 | Vigente | Dados, listas e requisitos do Sistema Geral de Classificação de Resíduos usado na classificação pela Parte 1.Publicada em 27 de novembro de 2024, junto com a Parte 1. | Fonte oficial |
Resíduos sólidos - Classificação ABNT NBR 10004:2004 | Substituída | Classificava resíduos sólidos em Classe I (perigosos), Classe II-A (não inertes) e Classe II-B (inertes).Cancelada pela ABNT em 27 de novembro de 2024 e substituída pelas Partes 1 e 2 da NBR 10004:2024. Fontes do setor citam transição até 31 de dezembro de 2026. Confirme no texto da norma e com o órgão ambiental. | Fonte oficial |
Referências conferidas em 26/10/2026. A aplicação depende da versão vigente, do escopo e da regulamentação aplicável a cada caso. Confira o texto na fonte oficial.
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