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Controle de qualidade interno x ensaio de proficiência: para que serve cada um

Um mede a sua consistência, o outro o seu desempenho contra o mundo. Por que a 17025 cobra os dois.

7 min de leitura

Existe uma confusão que custa caro em auditoria: achar que controle de qualidade interno e ensaio de proficiência são a mesma coisa, ou que um substitui o outro. Já vi laboratório com cartas de controle impecáveis levar não conformidade por não participar de comparação interlaboratorial, e já vi o contrário, gente que manda amostra de proficiência mas não monitora a rotina. São ferramentas diferentes, respondendo a perguntas diferentes. Você precisa das duas.

A maneira mais clara de entender: o controle interno responde a pergunta o meu método está estável e repetível hoje em relação a ontem. O ensaio de proficiência responde a outra: o meu resultado bate com o do resto do mundo. Uma olha para dentro, a outra para fora.

Controle de qualidade interno: a vigia de dentro

O CQI é o monitoramento que você faz com os seus próprios recursos, todos os dias. Analisa um material de controle junto com as amostras, plota o resultado na carta de controle, aplica as regras de avaliação. É barato, é frequente, é imediato. Pega o problema na hora em que ele acontece.

O ponto importante: o CQI mede principalmente precisão, ou seja, a consistência interna. Ele te diz se o método continua produzindo o mesmo valor para a mesma amostra ao longo do tempo. Uma tendência ou um deslocamento na carta de controle acende o alerta antes do resultado sair errado.

Mas o CQI tem um ponto cego. Se o seu método está enviesado de forma estável, sempre dando dez por cento a mais, por exemplo, a carta de controle fica linda. Os pontos caem bonitos em volta da média, porque a média também está deslocada. O controle interno não consegue enxergar o próprio viés quando ele é constante. É aqui que entra a outra ferramenta.

Ensaio de proficiência: o espelho de fora

No ensaio de proficiência (EP), ou comparação interlaboratorial, um provedor externo manda a mesma amostra para vários laboratórios. Cada um analisa sem saber o valor esperado e devolve o resultado. O provedor compara e diz onde você caiu em relação ao consenso ou ao valor de referência.

O EP mede exatidão e desempenho. Ele revela justamente o viés que o CQI não vê, porque agora existe uma referência externa e independente. É o teste de realidade do seu laboratório. A ISO/IEC 17025 dá tanta importância a isso que o monitoramento da validade dos resultados (requisito 7.7) inclui explicitamente a participação em comparações interlaboratoriais quando elas estão disponíveis e são apropriadas para o escopo.

A frequência é a diferença operacional gritante: CQI é diário, EP é periódico, conforme o programa. Por isso um não cobre o outro. Entre uma rodada de proficiência e outra, é o controle interno que segura a barra.

Como os dois trabalham juntos

Pense no CQI como o monitor cardíaco contínuo e no EP como o check-up completo de tempos em tempos. O monitor não substitui o check-up, e o check-up não substitui o monitor. Um sistema de qualidade sólido entrelaça os dois: a estabilidade do dia a dia vem do CQI, a confirmação de que você está calibrado com o mundo vem do EP.

Quando o resultado de proficiência confirma exatidão e a carta de controle confirma precisão, você tem o argumento completo de que seus resultados são confiáveis. Falta um, falta evidência.

O que fazer com um resultado insatisfatório

Resultado de EP fora do esperado não é vergonha, é informação valiosa, desde que vire ação. O caminho:

  • Trate como não conformidade formal, com registro e investigação documentada.
  • Verifique primeiro o óbvio: erro de transcrição, unidade trocada, casa decimal, prazo de envio.
  • Cruze com o CQI do período. A carta de controle mostrava algo estranho na época da análise da amostra de proficiência? Isso aponta para a causa.
  • Investigue viés sistemático: calibração, padrões, rastreabilidade metrológica.
  • Defina ação corretiva, implemente e confirme a eficácia na rodada seguinte.

O cruzamento entre CQI e EP é onde a investigação fica poderosa. Se a proficiência reprovou mas a carta estava perfeita, suspeite de viés constante, aquele que o controle interno não enxerga. A análise de materiais de referência certificados costuma fechar o diagnóstico, porque amarra a rastreabilidade.

Como combinar as duas evidências no planejamento

Monte um quadro por atividade do escopo indicando controle interno, frequência, critério, participação externa disponível e alternativa quando não houver programa adequado. O controle interno mostra estabilidade entre corridas; a comparação externa testa desempenho frente a uma referência independente. Um não substitui o outro porque respondem perguntas diferentes.

Quando o resultado de proficiência for insatisfatório, preserve os dados da investigação e compare com o comportamento do controle interno no mesmo período. A divergência pode revelar problema de matriz, preparação, cálculo, transporte ou interpretação que a rotina não capturou. A conclusão precisa avaliar extensão sobre resultados de clientes, não apenas responder ao provedor.

Referências para conferência

Nota editorial: confirme sempre a edição vigente da norma, o escopo aplicável e os requisitos do regulador, do método e do contrato antes de tomar uma decisão técnica.

Operar os dois controles em planilhas soltas é onde a coisa desanda. Quando CQI, EP e não conformidades vivem no mesmo sistema, o cruzamento é imediato e a evidência para auditoria já está pronta. Veja como a ISO/IEC 17025 no Gerencialab integra esses controles, ou agende uma demonstração para ver o fluxo completo.

Veja o Gerencialab rodando com a análise que você faz

Da proposta ao laudo assinado em ISO/IEC 17025, num sistema só. Agende uma demonstração com o tipo de ensaio do seu laboratório.

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