Existe um tipo de erro de laboratório que não aparece em nenhuma carta de controle, não é pego por nenhuma calibração e ainda assim invalida o resultado de forma absoluta: a amostra venceu antes de ser analisada. O holding time estourou. E o pior é que, na maioria dos casos, o equipamento estava perfeito, o analista fez tudo certo e o número saiu lindo. Só que aquele número descreve uma amostra que já não era a amostra coletada. Esse é o tipo de detalhe que derruba laudo na auditoria e na Justiça.
O que é holding time, de verdade
Holding time, ou prazo de validade da amostra, é o intervalo máximo entre a coleta e a análise dentro do qual o resultado ainda representa a condição original do material. Passou desse prazo, a integridade do analito não está mais garantida. Pode ter volatilizado, oxidado, sido consumido por microrganismos, precipitado ou reagido com a própria matriz.
O ponto que muita gente erra é tratar holding time como um número único para a amostra inteira. Não é. O prazo é por parâmetro. A mesma água coletada pode ter um holding time curtíssimo para um analito sensível e um prazo longo para outro mais estável. A amostra não vence de uma vez; ela vence em parcelas, parâmetro a parâmetro.
Preservação não para o relógio, só o desacelera
A preservação é o que estende o holding time, e cada parâmetro tem a sua. Refrigeração, ajuste de pH, adição de preservante químico, proteção da luz, frasco específico. Acertar a preservação é condição para o prazo valer.
Aqui mora um erro frequente e caro: assumir que preservar é o suficiente e ignorar o relógio. Preservação reduz a velocidade de degradação, não a zera. O holding time já considera a amostra preservada corretamente. Se a preservação falhou — chegou sem gelo, frasco errado, pH não ajustado — o prazo nominal nem se aplica, e você está navegando às cegas.
A consequência de estourar: resultado inválido
Quando o holding time é ultrapassado, o resultado não é um pouco menos confiável. Ele é inválido. Não tem como recuperar, não tem como corrigir com fator, não tem como justificar com a qualidade do equipamento. A rastreabilidade da medição até pode estar impecável, mas ela está rastreando um valor que não corresponde mais ao que foi coletado.
O que o auditor cobra aqui é direto:
- Registro de data e hora de coleta, não só do recebimento.
- Data e hora do início da análise de cada parâmetro, individualmente.
- Evidência das condições de preservação ao longo da cadeia de custódia.
- Critério documentado que defina o holding time de cada parâmetro e a sua origem.
- Tratamento dos casos de estouro — o que o laboratório faz quando o prazo é ultrapassado, e como isso é comunicado no laudo.
Erro comum número um: anotar só a data, sem a hora. Parâmetro com holding time de horas precisa de hora registrada, ou o controle é fictício. Erro número dois: controlar o prazo da amostra como um todo e liberar análises de parâmetros já vencidos porque o parâmetro mais estável ainda estava dentro do prazo.
Por que isso é problema de sistema, não de boa vontade
Controlar holding time por parâmetro, na mão, em planilha, é uma promessa que não se cumpre num laboratório com volume real. São dezenas de matrizes, centenas de combinações de parâmetro e prazo, amostras entrando o dia inteiro. Confiar na memória do analista para saber que aquela amostra específica tinha 48 horas para um analito e 7 dias para outro é apostar no erro.
O controle precisa ser do sistema. Cada parâmetro carrega seu prazo, o relógio começa a contar na coleta, e quando uma análise está perto do vencimento o sistema avisa. Se estourou, ele bloqueia a liberação ou exige justificativa formal antes de deixar o resultado seguir para o laudo. Isso é a aplicação prática dos requisitos de garantia de validade que a ISO/IEC 17025 exige no manuseio de itens de ensaio.
Esse controle conversa direto com a gestão de equipamentos e com o controle estatístico de qualidade: de nada adianta blindar o equipamento se a amostra venceu antes da injeção. Para entender como os requisitos de manuseio se encaixam no conjunto, vale revisar os requisitos da 17025 que reprovam auditoria.
Como construir uma regra operacional de prazo
Transforme a exigência do método em campos verificáveis: matriz, parâmetro, preservação, temperatura, recipiente, evento inicial e prazo máximo. Defina também como tratar recebimento fora da condição, atraso de transporte e informação ausente. Um único prazo para a amostra inteira pode ser incorreto quando parâmetros do mesmo frasco têm limites diferentes.
O sistema precisa calcular o vencimento a partir do evento correto e alertar antes da expiração, mas a equipe deve entender a origem da regra. Registre fonte, edição e responsável pela aprovação. Quando método ou contrato mudar, faça análise de impacto sobre cadastros, amostras em andamento e instruções de coleta.
Referências para conferência
- ISO — ISO/IEC 17025:2017
- Inmetro/Cgcre — acreditação de laboratórios
- ILAC — documentos de orientação para laboratórios
Nota editorial: confirme sempre a edição vigente da norma, o escopo aplicável e os requisitos do regulador, do método e do contrato antes de tomar uma decisão técnica.
No Gerencialab, o holding time é parametrizado por ensaio e a contagem dispara na coleta, com alerta de vencimento e bloqueio de liberação fora do prazo. Conheça a abordagem em ISO/IEC 17025 no Gerencialab ou agende uma demonstração para ver o controle rodando com os seus parâmetros.
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Da proposta ao laudo assinado em ISO/IEC 17025, num sistema só. Agende uma demonstração com o tipo de ensaio do seu laboratório.
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